domingo, 18 de julho de 2010

Barulho Silencioso

Tive o melhor Domingo dos últimos tempos. Ali para o lado de Bucelas, na Romeira, com as grandes amigas Siqueira como anfitriãs, a piscina a convidar umas braçadas desejadas, a família em torno de uma mesa, as Avós com cabelos de Avó e batons de Avó, os cães, as cigarras, as águias, o sol de Verão e a minha Constancinha e o seu fato-de-banho de filme.

Tão bom, tão bom que queria eternizar o sentimento de calma e tranquilidade por muito tempo, e esperar que ele ficasse para sempre. Era bom. Eu gostava.

Regresso a casa, cheira a casa, sabe a casa e está em silêncio profundo. Não é pior, é só diferente. Talvez consiga reconhecer os carros dos vizinhos, me perca com as folhas das árvores que dançarão pela noite dentro. Gosto.

Tenho uma ponta de tristeza e essa, algo me diz, veio para ficar. Se dói? Não! Só me deixa um bocadinho triste, porque há estórias que não deviam acabar sem terem chegado ao fim, porque há pessoas que são demasiado especiais, porque nem sempre os Domingos podem ser totalmente felizes.

Os Domingos não são felizes, pois não?

Amanhã recomeça o ciclo semanal, fisioterapia e ginásio e praia sozinha e jantar sozinha e noite sozinha e o caminho faz-se a pé e com calma. A calma que não (desa)sossega.

Mais uma semana e daqui a pouco estaremos a festejar a felicidade de um ano de vitórias e nesse dia eu deixo de vez o ano em que mais sofri, que mais cresci e que me moldou para sempre. Um ano que não sei como ultrapassei nem me imagino a ter igual. Foi duro, pesado, deixou-me a ansiedade de entrar num carro e uma moça algures que um dia há-de ser pequenina e quase insignificante.

O barulho do silêncio vai deitar-se comigo, a ansiedade também. A pouco e pouco retomo a vida e tenho medo de não conseguir superar as expectativas depositadas em mim. Terei forças, silêncio? Diz-me, terei eu forças?

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Aqui, diante de mim, eu lamechas me confesso.

Quero agradecer, novamente, as respostas e os comentários ao último texto publicado. Já sei que fiz soltar umas lágrimas por esses escritórios fora, que foram muitos os ecrãs que ficaram turvos e muitos os teclados que se molharam. Não era, de todo, a minha intenção por a maltinha a chorar, era só por a malta a rir e agradecer.

Já sei que sou lamechas e que volta e meia a minha escrita põe alguém a chorar, mas não deixem de me ler por isso, sim?

Maria Lamechas

segunda-feira, 12 de julho de 2010

HABEMUS FRACTURAS COLADAS

HABEMUS FRACTURAS COLADAS
HABEMUS FRACTURAS COLADAS
HABEMUS FRACTURAS COLADAS

Eram 9.47h da manhã e no serviço de Neurotrauma existia o corre corre normal dos banhos e das visitas médicas.
Avistei o Dr. Gonçalo ao fundo do corredor, senti uma calma há muito tempo desaparecida. Sabia que as expectativas se tinham perdido há muito tempo.

Entreguei-lhe a Tac e o relatório, abriu, viu e reviu, leu o relatório e disse:

"Estão coladas, ligeiramente tortas mas coladas!"

Não realizei, nem me apercebi bem das palavras.

Sou uma abençoada de Deus, uma abençoada pela vida e por todos os que me rodeiam. Choro copiosamente de alegria, cada lágrima é agora um alivio de felicidade. É cada pessoa que me apoiou, cada terço rezado, cada abraço sentido, cada mensagem de força.

Quantos Obrigadas poderei eu escrever para que percebam que, de facto, sem vocês a recuperação não tinha sido a mesma coisa?

Não é porque passou quase um ano, não é porque hoje eu voltei a nascer de novo, não é porque o pior fisicamente já passou, não é porque as coisas correm bem e eu mexo as perninhas e os bracinhos anafadinhos, não é porque as batalhas têm sido ganhas, mas é porque a guerra ainda está longe do fim e as tropas merecem um sincero e eterno OBRIGADA.

Há quase um ano eu levantei-me da cama a muito custo, trazia sobre os ombros o cansaço de 7 semanas a trabalhar em campos de férias fechados, tinha a missão de organizar o dia seguinte: actividades de exterior para 100 criancinhas azuis e verdes. Saí para o terreno com a vontade de a cumprir mais rápido que a luz.

Só tinha a vontade.
Como hoje tenho a vontade de vos escrever.
A vontade.

A meio da tarde tinha mais que a vontade e menos que a missão cumprida. Tinha a cervical partida, a vida suspensa, o corpo na eminência de deixar de obedecer.

Eu lembro-me. Lembro-me de tudo. Mais do que me queria lembrar, e espero que um dia a recordação não passe mais do que uma gaveta empoeirada no sótão das recordações dos vinte. Até lá eu relembro todos os dias a Sorte e o Amor que não me largaram nunca.

Agradeço.
Agradeço do fundo do coração as palavras de conforto, as mensagens e os emails de apoio e de força, as velas acendidas, os terços rezados, as noites mal dormidas, os mimos, os sumos, as gelatinas, os doces, as leituras à cabeceira, as visitas às escondidas, as visitas autorizadas, a estrelinha da sorte, a medalha de Nossa Senhora Desatadora dos Nós. Agradeço as horas de espera nas Urgências de São Francisco e as outras à porta do Egas Moniz.

Costumo dizer que em muitas alturas há-de ter sido mais complicado para muitos de vós do que para mim. Naquelas horas de incerteza, a minha força, a minha energia, canalizavam-se para um corpo que não podia deixar de obedecer. Nos poucos momentos em que me deixei levar pela emoção tinha a imagem de umas mãos que nunca mais me iriam responder, umas mãos inanimadas e sem vida. Sabia que não podiam ser as minhas, tinha a certeza que não podia ficar por ali o livro que nunca publiquei, a árvore que nunca plantei, os abraços que não cheguei a dar, e tantas outras coisas. Eu tinha a certeza, mas também tinha a vontade, e nem sempre a certeza e a vontade chegam.

Hoje, aqui, dispo-me em frente ao teclado, de coração nas mãos e deixo que elas escrevam livremente o que o coração lhes dita.
Deixo que façam o seu trabalho, para que a cada linha e a cada palavra de gratidão TODOS saibam que esta vitória é vossa. Toda vossa.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

quarta-feira, 23 de junho de 2010

New hopes, new dreams, new ways

Hoje vou ouvir até decorar detrás para a frente e de frente para trás a "Beautiful Day" da India Arie.

Só porque eu não acredito no acaso, nem em medalhinhas com simbolos trocados, nem em músicas especiais logo pela manhã, nem em gráficos em vez de sentimentos, nem em reencontros sem razão. Não acredito. E se calhar deva acreditar no acaso. E era mais fácil.

Hoje apetece-me fazer da letra a minha estória, mais que a minha história, e deixar que as coisas tenham um sentido, um destino e um gráfico equilibrado.

"Life is a journey
Not a destination
There are no mistakes
Just chances we've taken
Lay down your regrets 'cause all we have is now

Wake up in the morning
And get out of the bed
Start making a mental listin my head
Of all of things that I am grateful for

Early in the morning
It's the down of a new day
New hopes, new dreams, new ways..."

Só um bocadinho da letra para aguçar a vontade.

Hoje eu quero acreditar que há uma razão para tudo o que não pode ser acaso.

domingo, 13 de junho de 2010

relendo o que para aqui escrevi as coisas deixam e fazer sentido e eu ainda não cheguei ao fim.

sábado, 5 de junho de 2010

às vezes acordas de manhã, abres a janela, olhas para o mar e sabes que o melhor da vida sempre esteve à tua frente.

 e sabes que não tens que falar a mesma língua para comunicar, e vês que a cultura individual se acrescenta a cada abraço que dás, e que por muitas tardes de filmes e conversas jogadas fora cresces a cada dia que dás a alguém o que é teu.

e recebes o que te dão, e é bom.

acordas e mais uma vez agradeces a sorte.